Como exportadores brasileiros podem receber USD mais rápido em dólar (USD)

Um guia simples para reduzir o atrito em pagamentos internacionais.

Pagamentos de Exportação no Brasil: Câmbio Tradicional vs Ativos Virtuais

Resumo (TL;DR)

Os exportadores brasileiros têm mais caminhos do que nunca para receber pagamentos internacionais. A rota tradicional geralmente envolve o SWIFT, um banco ou corretora autorizada, uma transação de câmbio e a liquidação em BRL ou em conta local. As novas rotas de ativos virtuais podem usar dólares digitais, como stablecoins, para movimentar valores mais rapidamente, muitas vezes antes de converterem para BRL por meio de canais locais como o Pix.

O ponto fiscal mais importante é este: as transações de câmbio tradicionais relacionadas ao fluxo de entrada de receitas de exportação de bens e serviços podem estar sujeitas ao IOF com alíquota zero quando devidamente estruturadas como receita de exportação. O Decreto 6.306/2007 faz referência ao tratamento zero para operações de câmbio vinculadas a receitas de exportação, e análises tributárias confirmam que as transações de câmbio relacionadas a fluxos de entrada de receitas de exportação são geralmente tributadas à alíquota zero de IOF.

As transações com ativos virtuais são diferentes. A Reuters informou que as transações com criptomoedas não estavam sujeitas ao IOF naquele momento, enquanto o Brasil avaliava estender o IOF a alguns pagamentos transfronteiriços com criptoativos e stablecoins. As normas do Banco Central também aproximaram certas atividades de ativos virtuais, incluindo pagamentos internacionais e operações com stablecoins pareadas a moedas fiduciárias, do perímetro regulatório cambial.

Para os exportadores, a rota certa depende de velocidade, custo, documentação, preferências do comprador, requisitos de conformidade e se a empresa precisa de BRL, USD ou dólares digitais após a chegada do pagamento.

Por que os Pagamentos de Exportação no Brasil Estão Mudando

O Brasil é um dos mercados de exportação mais importantes do mundo, com empresas vendendo café, carne bovina, soja, minérios, bens manufaturados, serviços e insumos industriais para compradores nas Américas, Europa, Ásia e Oriente Médio.

Mas o lado financeiro das exportações nem sempre acompanhou o ritmo do comércio internacional.

Um exportador brasileiro pode fechar um negócio em USD ou EUR, emitir uma fatura, enviar as mercadorias e depois esperar dias para que os fundos cheguem por meio de bancos correspondentes. Pelo caminho, o pagamento pode passar por múltiplos intermediários, incorrer em taxas de transferência, enfrentar taxas de câmbio pouca claras e exigir documentação antes que o exportador possa utilizar o dinheiro localmente.

Esse é o tradicional problema dos pagamentos internacionais.

Ao mesmo tempo, os ativos virtuais e as stablecoins tornaram-se mais comuns nos debates sobre pagamentos na América Latina. Os dólares digitais podem ser movimentados globalmente fora do horário bancário tradicional. Podem ser liquidados mais rapidamente do que as transferências SWIFT. Também podem dar aos exportadores e importadores outra forma de manter valor em ativos equivalentes ao USD antes de converter para a moeda local.

No entanto, o Brasil não é um mercado sem regras. O Banco Central do Brasil e a Receita Federal têm aumentado a fiscalização sobre as atividades com ativos virtuais. Os exportadores não devem encarar as stablecoins como uma forma de evitar o cumprimento das normas. Devem encará-las como outra via de pagamento que ainda necessita de documentação, relatórios, KYB, controles de PLD (Prevenção à Lavagem de Dinheiro) e análise fiscal.

Pagamentos Tradicionais de Exportação no Brasil: Como o Caminho Costuma Funcionar

Num fluxo tradicional de pagamento de exportação, o comprador envia fundos do exterior para o exportador brasileiro por meio de um banco ou provedor de pagamentos. O pagamento pode chegar via SWIFT, SEPA, ACH ou outra rede internacional ou local, dependendo de onde o comprador estiver localizado.

Um fluxo tradicional simplificado se parece com isto:

  1. O exportador brasileiro emite uma fatura (invoice) para o comprador estrangeiro.

  2. O comprador envia o pagamento em USD, EUR ou outra moeda.

  3. Os fundos chegam por meio de um banco, banco correspondente ou instituição de câmbio autorizada.

  4. O exportador fornece documentação que comprova que a transação está relacionada a uma exportação.

  5. Uma transação de câmbio é concluída.

  6. O exportador recebe os fundos, frequentemente em BRL, ou gerencia o saldo dependendo do provedor e da configuração da conta.

As perguntas frequentes públicas do Banco Central explicam um detalhe operacional importante: os recursos em moeda estrangeira não vão simplesmente de forma direta para a conta corrente comum do beneficiário. É necessária uma operação de câmbio com uma instituição autorizada antes que os recursos fiquem disponíveis na moeda nacional.

É por isso que muitos exportadores brasileiros vivenciam os pagamentos internacionais como um processo bancário e, simultaneamente, documental.

Imposto sobre IOF nas Exportações do Brasil: O que os Exportadores Precisam Saber

O IOF, ou Imposto sobre Operações Financeiras, é o imposto brasileiro incidente sobre determinadas transações financeiras, incluindo crédito, câmbio, seguros, valores mobiliários e operações afins. A Receita Federal descreve o IOF como aplicável a pessoas físicas e jurídicas que realizam crédito, câmbio, seguros, valores mobiliários e operações financeiras semelhantes.

Para os exportadores, a questão central é se o pagamento é tratado como receita de exportação.

As operações de câmbio relacionadas com o fluxo de entrada de receitas provenientes de exportações de bens e serviços podem ter alíquota zero de IOF. A International Tax Review resume este ponto claramente: a alíquota do IOF é zero nas operações de câmbio relacionadas com a entrada de receitas provenientes de exportações de bens e serviços e com a saída de recursos para importações de bens.

Isso não significa que todo pagamento internacional seja automaticamente isento de IOF. A documentação, finalidade, prazos e classificação são importantes. O pagamento de uma invoice de exportação é diferente de uma transferência para investimento, aporte de sócios, empréstimo, compra com cartão, remessa pessoal ou outra transação cambial sem relação.

Para fins práticos, os exportadores devem guardar:

  • Fatura comercial (invoice)

  • Contrato de exportação ou ordem de compra

  • Documentos de transporte, quando aplicável

  • Dados do comprador

  • Confirmação de pagamento

  • Contrato de câmbio ou comprovante de transação do provedor

  • Registros contábeis vinculando o pagamento à exportação

O objetivo é tornar o pagamento fácil de explicar: quem pagou, por que pagou, o que foi exportado, quanto foi pago e como os fundos se movimentaram.

Os Atritos nas Rotas Tradicionais de Câmbio e SWIFT

As rotas de pagamento de exportação tradicionais são amplamente aceitas e bem compreendidas. Muitas vezes, são a opção mais segura para fluxos comerciais de grande volume, altamente documentados ou conservadores.

Mas elas podem gerar atrito.

Os problemas mais comuns são:

  • Liquidação lenta, especialmente quando envolve bancos correspondentes

  • Taxas de intermediários pouco claras

  • Spreads cambiais difíceis de comparar

  • Revisão manual de documentação

  • Visibilidade limitada sobre o status do pagamento

  • Horários limite (cut-off) e atrasos decorrentes do horário de expediente bancário

  • Sistemas fragmentados entre bancos, corretoras e ferramentas contábeis

Para grandes exportadores com equipes de tesouraria, esses problemas podem ser controlados. Para micro, pequenas e médias empresas exportadoras, podem criar pressões reais no capital de giro. Se um exportador de café, um despachante aduaneiro ou um fabricante precisa esperar vários dias para que o pagamento de um comprador seja compensado, esse atraso pode afetar os pagamentos a fornecedores, salários, estoque e cronogramas de envio.

É aqui que a infraestrutura de pagamentos mais moderna pode ajudar.

Ativos Virtuais no Brasil: Uma Nova Rota para a Liquidação de Pagamentos de Exportação

Os ativos virtuais são representações digitais de valor que podem ser transferidas eletronicamente. Nos pagamentos de exportação, a categoria mais relevante costuma ser a das stablecoins, especialmente as pareadas ao dólar americano (USD), como USDC ou USDT.

Um fluxo de pagamento de exportação por meio de ativos virtuais pode se parecer com isto:

  1. Um comprador estrangeiro paga em USD, EUR ou outra moeda.

  2. O pagamento é convertido em um dólar digital ou liquidado por meio de uma rede de ativos virtuais.

  3. O exportador recebe ou tem acesso ao valor de forma mais rápida do que em um fluxo tradicional via banco correspondente.

  4. O exportador pode reter os dólares digitais, converter para BRL ou fazer novos pagamentos, dependendo da plataforma e da estrutura de conformidade.

  5. Os registros das transações, referências das invoices, detalhes das carteiras (wallets) e registros de conversão são guardados para contabilidade e auditoria.

A Circle, por exemplo, anunciou acesso local ao USDC no Brasil e no México através de Pix e SPEI, descrevendo o objetivo como reduzir a dependência de transferências internacionais e encurtar o tempo necessário para acessar dólares digitais.

A lógica comercial é simples: os exportadores querem acesso mais rápido ao dinheiro, taxas cambiais mais transparentes e maior controle sobre o momento da conversão.

No entanto, os ativos virtuais trazem novas questões: custódia, propriedade de carteiras, tratamento contábil, declarações fiscais, triagem de sanções, risco de contraparte e classificação regulatória.

Os Pagamentos com Ativos Virtuais Estão Isentos de IOF?

Neste ponto, a escolha das palavras precisa ser cuidadosa.

O câmbio de exportação tradicional e as transações de ativos virtuais não devem ser descritos da mesma maneira.

No caso do câmbio tradicional de exportação, a regra geral é a alíquota zero de IOF para a entrada de receitas de exportação devidamente documentadas. Já para os ativos virtuais, a Reuters informou em novembro de 2025 que as transações de cripto não estavam sujeitas ao IOF no momento, enquanto o Brasil avaliava a extensão do imposto a algumas transações transfronteiriças de criptoativos e stablecoins. A Reuters também reportou que o Ministério da Fazenda estava revisando o tema e que as alterações de classificação do Banco Central não criavam obrigações fiscais automaticamente sem orientações específicas do órgão fiscal competente.

Dessa forma, a explicação prática e objetiva é:

As transferências de ativos virtuais historicamente não receberam a aplicação de IOF do mesmo modo que as transações cambiais tradicionais. Contudo, as autoridades brasileiras vêm avaliando de forma ativa se alguns fluxos transfronteiriços de stablecoins e ativos virtuais devem passar a ser tributados pelo IOF, sobretudo à medida que o Banco Central aproxima parte desse mercado da regulação cambial.

Essa distinção é fundamental.

Um exportador não deve presumir que "nunca haverá IOF". A equipe financeira deve revisar a rota, o provedor, o tipo de transação, as rampas de saída (off-ramp), a documentação e o tratamento tributário em vigor antes de ampliar o volume de pagamentos com ativos virtuais.

Regulamentação de Stablecoins no Brasil: O que Mudou

O Brasil tem avançado no sentido de trazer os ativos virtuais para um marco regulatório mais claro.

O Banco Central anunciou regras para ativos virtuais, incluindo a Resolução BCB 521, que estabelece normas para certas atividades de prestadores de serviços de ativos virtuais (VASPs) que sejam tratadas como operações de câmbio e do mercado de capitais internacional.

A Reuters informou que, sob as regras do Banco Central, a compra, venda ou permuta de ativos virtuais lastreados em moedas fiduciárias seria considerada uma operação de câmbio, e a mesma classificação seria aplicada a pagamentos ou transferências internacionais usando ativos virtuais.

O Banco Central também atualizou as regras de pagamentos internacionais por meio da Resolução BCB 561, com as regras entrando em vigor em 1º de outubro de 2026.

A direção é nítida: o Brasil não está proibindo o conceito de pagamentos com ativos digitais, mas está reduzindo ambiguidade. Agentes regulados, prestação de informações adequadas, transparência de carteiras e classificação clara estão se tornando cada vez mais importantes.

Para os exportadores, isso traz pontos positivos e negativos.

É positivo porque regras mais claras dão maior segurança para a adoção corporativa. É negativo se uma empresa dependia de fluxos de cripto informais com documentação fraca.

Câmbio Tradicional vs Ativos Virtuais: Comparativo Direto

Velocidade de Liquidação

O SWIFT tradicional e a rede de bancos correspondentes podem levar de um a vários dias úteis, dependendo do banco remetente, dos bancos intermediários, das verificações de conformidade e do par de moedas.

A liquidação por meio de ativos virtuais pode ocorrer muito mais rápido no nível da rede (blockchain). Contudo, o fluxo comercial de ponta a ponta ainda depende do cadastro (onboarding), do KYB, de análises, da liquidez, do prazo de conversão (off-ramp) e do modelo de operação do provedor.

Vencedor: ativos virtuais em termos de velocidade, mas apenas quando o provedor possui rampas de entrada/saída de moedas fiduciárias confiáveis.

Custo e Transparência Cambial

O câmbio tradicional pode embutir taxas de envio de recursos, taxas de bancos intermediários e spreads cambiais ocultos. Os exportadores muitas vezes veem o valor final recebido, mas nem sempre todas as tarifas de custo da rede.

As rotas de ativos virtuais podem reduzir o atrito gerado por intermediários, mas ainda assim podem conter tarifas de plataforma, spread, taxas de rede de blockchain (gas) e custos de conversão.

Vencedor: depende do provedor. Exporters devem comparar o valor líquido final recebido, e não apenas a tarifa de destaque da transação.

Tratamento do IOF

O câmbio de exportação tradicional pode ser tributado à alíquota zero de IOF quando vinculado à entrada de receitas de exportação de bens ou serviços e devidamente documentado.

As transações com ativos virtuais têm sido reportadas como não sujeitas ao IOF atualmente, mas o Brasil já cogitou estender o IOF a certos pagamentos transfronteiriços com criptoativos e stablecoins.

Vencedor: o câmbio tradicional possui hoje um tratamento de IOF para exportação já consolidado e mais estável. Os ativos virtuais podem oferecer eficiência, mas a situação tributária requer monitoramento constante.

Conformidade e Documentação

As rotas tradicionais são amplamente conhecidas por bancos, contadores, auditores e órgãos rguladores. Os requisitos de documentação são conhecidos, embora por vezes demorados.

As rotas com ativos virtuais exigem maior atenção à titularidade de carteiras, hashes de transação, origem de recursos, triagem de contrapartes e prestação de informações fiscais. A Receita Federal exige informações sobre operações com criptoativos de determinados agentes, incluindo residentes ou entidades brasileiras quando as operações são realizadas por intermédio de exchanges estrangeiras ou fora de exchanges (peer-to-peer).

Vencedor: rotas tradicionais em termos de convenção geral; ativos virtuais em rastreabilidade digital quando conduzidos da maneira correta.

Capital de Giro

Se o exportador recebe o pagamento com mais agilidade, ele pode quitar obrigações com fornecedores mais rapidamente, liberar produtos de forma expedita e encurtar o tempo de caixa parado em trânsito.

Vencedor: rotas de ativos virtuais podem otimizar o capital de giro, em especial para exportadores com faturamento frequente de menor valor ou clientes em múltiplos países do mundo.

Quando o Câmbio Tradicional de Exportação Faz Sentido

O câmbio tradicional pode ser a escolha mais indicada quando:

  • O comprador realiza pagamentos exclusivamente via canais bancários.

  • A transação envolve valores extremamente expressivos.

  • A contabilidade do exportador exige documentação cambial tradicional com contratos formais de fechamento.

  • O exportador prioriza a aplicação consolidada da alíquota zero de IOF.

  • A organização detém acordos estruturados com instituições financeiras e taxas cambiais negociadas previamente.

  • A transação exige financiamento tradicional ao comércio exterior, cartas de crédito ou garantias de banco.

Tradicional não significa ruim. Significa estabelecido.

Para diversos exportadores, o modelo perfeito não é substituir inteiramente o câmbio convencional, mas sim assegurar canais alternativos quando fatores como rapidez, custos e comodidade para o comprador pesam na decisão.

Quando os Ativos Virtuais Podem Fazer Sentido

A alternativa de recebimento via ativos virtuais pode ser viável quando:

  • O exportador precisa de acesso imediato a saldos em dólares (USD).

  • O cliente de fora do país está habilitado para efetuar pagamentos com rede de dólares digitais.

  • O exportador pretende evitar lentidões provenientes do fluxo de bancos correspondentes.

  • A empresa tem demanda para pagamento de fornecedores no exterior de forma imediata.

  • O exportador prioriza a visibilidade detalhada de cada etapa da transação.

  • A plataforma prestadora de serviços assegura políticas robustas de KYB, PLD, triagem para sanções e prestação de contas transparentes.

  • O departamento contábil da empresa está adaptado à escrituração patrimonial de ativos virtuais.

Esse cenário ganha ainda mais força para exportadores que recebem fluxos constantes de variados mercados globais, empresas com margens estreitas ou que dependem de agilidade no intercâmbio de posições financeiras entre USD e BRL.

A Melhor Rota Pode Ser Híbrida

Os rumos dos pagamentos de exportação do país muito dificilmente serão decididos por um embate de "bancos versus criptoativos".

O futuro é híbrido.

Um fluxo de exportações devidamente atualizado pode precisar de:

  • Dados bancários para recebimento local facilitando a ação do comprador

  • Aceitação à rede SWIFT para as contrapartes mais tradicionais

  • Uso de Pix para maior rapidez de saques finais em BRL

  • Manutenção de saldos em USD visando o equilíbrio de tesouraria

  • Canais em stablecoins ou ativos virtuais com intuito de transferências internacionais velozes

  • Cotações cambiais claras visualizadas antes do fechamento

  • Consolidação de documentos de fácil compreensão para auditoria técnica e contadores

Essa é a exata lógica na qual plataformas como a Specie foram fundamentadas: auxiliar empresas de comércio global a processar faturamentos, cobranças e fluxo de fundos utilizando caminhos bancários tradicionais e canais digitais de forma transparente com segurança. A Specie salienta que não atua como instituição bancária direta, operando seus recursos integrados com parceiros de rampeamento licenciados, o que representa um ponto de transparência crucial para a validação corporativa.

Checklist de Documentação para Exportadores Brasileiros

Previamente ao momento da definição do melhor meio de transferência, o exportador deve definir uma rotina clara de documentação.

Para cada transação efetuada de exportação, salve:

  1. Fatura comercial (invoice)

  2. Dados completos do destinatário estrangeiro

  3. Ordem de compra (Purchase Order) ou instrumento de contrato

  4. Documentos atestando o transporte ou a execução da atividade, se houver

  5. Comprovante final do recebimento

  6. Tela demonstrativa de fechamento e conversão de moeda

  7. Endereço de destino das carteiras e o identificador único hash, se houver liquidação cripto

  8. Evidências da propriedade de destino das carteiras ou contas de recebimento

  9. Lançamento de conciliação interna contábil

  10. Notas técnicas explicativas do consultor para transações com regimes específicos

Para fluxos financeiros com ativos virtuais, torna-se necessário certificar a origem bem como o paradeiro do capital. O posicionamento regulatório da Receita Federal sobre o segmento sinaliza claramente que operações envolvendo criptoativos ensejam dever de comunicação de dados, incluídos os atos capitaneados por organizações ou cidadãos no Brasil utilizando custodiantes fora do território nacional.

Criptoativos podem de igual modo gerar reflexo no Imposto de Renda. A Receita Federal estipulou que os lucros apurados nas alienações mensais de ativos digitais acima do sublimite de R$ 35.000 são passíveis de ganho de capital, valendo a referida faixa de isenção para a totalidade dos tipos que compreendem Bitcoin, moedas alternativas (altcoins), tokens pareados e NFTs.

Falhas Típicas que Devem Ser Evitadas

Falha 1: Focar em Tarifas Isoladas de Transferência

Uma transação teoricamente livre de comissões fixas pode na verdade custar caro caso o ágio cobrado no câmbio seja elevado. Faça seu cálculo sobre o valor líquido apurado final.

Falha 2: Presumir que Toda Entrada é Tratada como Receita de Exportação

O enquadramento sobre o IOF depende prioritariamente do tipo legal da operação financeira. Faturamento de exportação, financiamentos obtidos, integralização de capital social, prestação de serviços ou movimentação de uso no cartão diferem fiscalmente.

Falha 3: Imaginar que Stablecoins Dispensam Compliance

Stablecoins de fato resolvem tempo de resposta, mas rapidez não desobriga do respeito aos deveres de impostos, fiscalização de órgãos públicos, combate à origem de fundos ilícita e contabilidade corporativa.

Falha 4: Deixar de Coadunar o Recebimento com sua Respectiva Invoice

Toda transferência processada deve possuir elo direto com seu comprador bem como a fatura geradora. Tal vínculo é exigido rigorosamente por reguladores, equipes de auditoria, bancos e assessores jurídicos.

Falha 5: Postergar a Padronização dos Registros

A melhor ocasião para instituir fluxos de recebimento eficientes ocorre antes de a empresa crescer. Quando o volume atinge dezenas de transações por mês, corrigir dados inacabados e conciliações desorganizadas custa muito mais tempo.

Critérios de Escolha para a Melhor Rota Cambial

Leve em consideração o seguinte fluxograma:

Opte pelo padrão tradicional se:

  • O remetente dá prioridade estrita para liquidação convencional via rede de bancos.

  • Os valores transacionados são expressivos e necessitam de rígido aparato.

  • Sua consultoria de contabilidade demanda documentos homologados de fechamento de câmbio tradicional.

  • O cenário requer estabilidade total na tese de aplicação da alíquota zero do IOF.

  • Você mantém parceria com grupos corporativos rigorosos em seus procedimentos de auditoria.

Valide fluxos com ativos virtuais se:

  • O fator mais importante é a velocidade operacional.

  • Você prefere manter resguardado o poder financeiro no padrão de dólar americano.

  • Você precisa pagar fornecedores ou parceiros internacionais com agilidade.

  • O destinatário da compra concorda e domina o uso das compensações por dólares digitais.

  • Seu intermediador oferece conformidade avançada, prestação clara de informações e transparência total nas cotações.

Trabalhe com uma solução híbrida se:

  • Seu modelo empresarial necessita do apoio tanto das novas ferramentas quanto de rotas consolidadas.

  • Os créditos chegam de variados mercados em moedas distintas.

  • Você deseja acessar a página em português antes de realizar as liquidações cambiais.

  • Você deseja manter o controle documental unificado em um mesmo local de controle.

  • Sua empresa busca encurtar tempo de transferências bancárias mantendo intocável sua governança corporativa.

Conclusão

Quem comercializa produtos e serviços para fora do Brasil não está mais restrito a um caminho monopolizado de pagamentos.

Os canais de câmbio convencional e remessas via SWIFT mantêm sua fatia de importância dada a sua consolidação e o entendimento mais seguro da tributação de IOF zero quando formalizada a natureza comercial da remessa externa.

Por outro lado, os ativos virtuais, tendo à frente as transações indexadas a stablecoins, propiciam dinâmica moderna de tempo, nitidez de tarifas e estabilização de capitais em dólar digital. Contudo, exigem alta responsabilidade com conformidade regulatória. O horizonte normativo brasileiro deixa transparente o fato de que a tecnologia blockchain caminha para ser cada vez mais incorporada sob regras institucionais e claras. Assim, quem exporta deve buscar serviços ancorados por parceiros licenciados que deem respaldo em PLD, triagem para sanções e conciliação de faturamento.

O plano mais rentável no fim das contas não consiste em simplesmente anular novos meios ou preterir o antigo. Consiste em diversificar seus provedores visando recolher vantagens na economia, agilidade operacional, conformidade fiscal e autonomia financeira.

Próximo Passo

Caso sua organização efetue remessas para fora do país e busque modernizar o andamento dos haveres de câmbio, avalie o formato dos bancos com os workflows globais de pagamentos oferecidos pela Specie. A Specie dá condições para que empresas façam intermediação, faturamento e trânsito financeiro cruzando redes pelo mundo de modo simplificado com tempo de trâmite otimizado e custos previsíveis.

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